Dentre as reflexões mais relevantes e recorrentes da atualidade no âmbito da gestão empresarial encontra-se a que se refere ao limite da atuação entre governança e gestão. Tal discussão aborda a linha tênue que separa dois conceitos e práticas fundamentais para as organizações, sendo valioso compreender suas relações pela perspectiva da influência nas práticas de gestão ocorridas a partir do desenvolvimento da governança corporativa.
Na atualidade, entende-se claramente que governança e gestão são atividades com abordagens diferentes, porém complementares uma à outra. Na visão de longo prazo discutida em nível de governança corporativa busca-se a sustentabilidade e a perenidade do negócio, enquanto que na abordagem de curto prazo da gestão, o foco das ações está voltado para o desempenho e resultado do exercício corrente.
De forma objetiva, a relação atual entre governança e gestão baseia-se na perspectiva de que a governança corporativa deve contribuir com a empresa determinando a direção a ser seguida, enquanto a gestão deve se comprometer com a execução. Assim, as práticas em nível de governança corporativa estão diretamente ligadas à ideia de uma visão institucional, voltada objetivamente a avaliar, monitorar e direcionar as ações desempenhadas pela gestão. Já as práticas de gestão têm a incumbência de organizar e executar a estratégia.
No âmbito da governança estão o aprimoramento contínuo da filosofia corporativa, o desenvolvimento de políticas organizacionais, a criação das principais estratégias em nível corporativo como fusões e aquisições, investimento em ativos e meios de financiamento da empresa. Também são aprovados projetos de alto impacto corporativo, bem como o orçamento anual, além da apresentação de expectativas de resultado para a diretoria executiva.
Nesse contexto, trata-se como atribuição direta dos envolvidos na gestão organizacional, formular os objetivos anuais para uma das áreas de gestão, estabelecer metas a serem atingidas em todos os níveis funcionais, como também desenvolver projetos direcionados para o seu pleno atingimento. Todo esse conjunto de definições deve ser considerado na elaboração do orçamento anual, assim como na composição dos indicadores de desempenho a serem monitorados naquele ciclo de gestão.
Compete também aos gestores de uma organização, implementar as políticas organizacionais formuladas pelos agentes de governança, por meio de uma gestão de riscos atuante e estruturada, que deve agir permanentemente para identificar potenciais riscos corporativos visando atualizar ou mesmo reformular as políticas vigentes.
Pode-se concluir que os limites de atuação entre governança e gestão estão presentes nas perspectivas de longo e curto prazo respectivamente, como também na formulação de políticas em nível de governança e sua implantação por parte dos agentes de gestão. Tais perspectivas reforçam as relações entre governança e gestão visto que são suportadas pelos princípios de governança e pela ideia central que esta última contribui definindo a direção a ser seguida, enquanto a gestão tem seu foco central na execução.