A partir do Século XXI, as práticas de governança corporativa foram aprimoradas em razão de uma nova perspectiva decorrente do aumento da complexidade das relações institucionais entre empresas e mercado, especialmente em função do avanço do processo de globalização e pela estruturação dos mercados de capitais em nível mundial.
No caso da globalização, a ideia de uma economia global suportada pelo comercio internacional passou a produzir um fluxo financeiro altamente expressivo, o que condicionou as empresas a cumprir regras rigorosas para embasar relações institucionais de longo prazo com mais diversos parceiros comerciais e por conta disso os sistemas de governança passaram a ser amplamente utilizados.
Já no caso do mercado de capitais, o surgimento da figura dos investidores institucionais, entre estes fundos de pensão e companhias de seguros, passou a considerar a expectativa de longo prazo para se obter retorno sobre os investimentos, tornando a existência de uma estrutura de governança robusta e atuante como premissa básica para investimento nas empresas.
O advento resultante da combinação desses dois movimentos, processo de globalização e estruturação do mercado de capitais, condicionou as empresas a desenvolver competências para empreender uma visão estratégica de longo prazo, que de forma objetiva compreende:
I. Antecipação – construir cenários de longo prazo por meio de um diagnóstico baseado em tendências e incertezas que permita as empresas e definir um foco estratégico que proporcione o claro entendimento de onde a organização se encontra e onde pode chegar.
II. Seleção – a partir da antecipação de cenários, estabelecer a estratégia de longo prazo, ou seja, as ações estratégicas que suportadas por políticas organizacionais e projetos de alto impacto corporativo indicam para a empresa como os objetivos de longo prazo serão alcançados.
III. Execução – tendo a estratégia de longo prazo definida, implantar as ações previstas, monitorando a entrega dos resultados ao longo do percurso.
Diante desse contexto, as empresas passaram a perceber que se tornara fundamental incluir a construção de uma visão de longo prazo nas atribuições de governança corporativa, na qual entre suas funções estariam a consolidação de um planejamento estratégico, composto por análise de cenários futuros e a orientação da estratégia da empresa no longo prazo.
Na atualidade, entende-se claramente a visão de longo prazo discutida em nível de governança corporativa serve de apoio imprescindível para tomada de decisão estratégica do conselho de administração, que trabalha orientado para direcionar as empresas rumo à sustentabilidade e longevidade do negócio.